Decidi que vou tentar escrever um post todos os dias.
Hoje vou debruçar-me sobre a amamentação.
A minha filha vai nascer num “Hospital Amigo do Bébé”. Quer isto dizer que o hospital tem em práctica uma série de acções com vista ao incentivo da amamentação. Isto é óptimo porque eu sempre pensei em amamentar e sei que ali vou ter apoio e acompanhamento nesse processo que prevejo que não seja fácil, pelo menos, nas primeiras vezes.
Os benefícios do leite materno estão por demais estudados e eu não quero privar a minha filha disso.
Mas se por um lado tenho consciência que amamentar é o melhor para o bébé, não posso deixar de me indignar com toda a pressão que é colocada nas mães sobre este assunto.
Parece que passámos de um extremo ao outro. Se na geração da minha mãe era usual as mães não amamentarem ou amamentarem durante pouco tempo, hoje estamos no fundamentalismo da amamentação. E como todos os fundamentalismo, penso que isso é mau.
Eu estou com 5 meses de gravidez e já não suporto ouvir que tenho que amamentar, que isso é o melhor para o bébé e se agora tenho limitações na alimentação depois ainda vai ser pior, etc, etc. Ora, parece que as pessoas veêm a amamentação não como uma coisa prazeirosa para mãe e filho mas como uma obrigação, custosa, até quase como um castigo.
A pressão é tanta que o medo de falhar é muito. E talvez seja por isso que muitas mulheres têm dificuldade em amamentar os seus filhos.
Eu já decidi que durante os primeiros dias o momento da amamentação vai ser vivido a três e nada mais. Não quero avós, tias, primas ou quem quer que seja por perto até me sentir suficientemente segura.
Tenho chocado algumas pessoas porque digo que não vou ser fundamentalista da amamentação. Que o leite da farmácia também é bom e que foi assim que eu fui criada e cresci saudavel. Sei que choca. Vejo as caras horrorizadas das pessoas que pensam que eu vou ser uma má mãe. Nada disso me interessa. E sinceramente, não é nada disto que penso. Eu apenas quero aliviar a pressão que me estão a colocar em cima. E se para isso for preciso ter uma lata de leite em casa para que eu me sinta mais segura, não tenho problemas em o comprar ainda que seja sempre na esperança de não o usar.
Sei que a parte psicológica tem grande influência em mim. Sei que o sucesso de alcançar tão rapidamente uma gravidez se deveu ao facto de ninguém estar a contar e de ninguém me estar a pressionar nesse sentido. E com a amamentação vai ser assim. Posso chocar amigas, tias, avós, conhecidas ao dizer que não faço questão de amamentar. Se isso as fizer ficar caladas achando que eu sou um caso sem solução, melhor. O objectivo é esse mesmo e vão ver que assim vou amamentar a minha filha em exclusivo durante muito, muito tempo.
As mães não se medem aos palmos e muito menos pela sua produtividade leiteira. Sou uma mulher e não uma vaca e não vou ser menos mãe se não amamentar. Se o conseguir, tanto melhor: Mas, por favor, não me escravizem!
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2007-07-24
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